A respiração nasal está associada a funções normais de mastigação, deglutição, postura da língua e lábios, além de proporcionar ação muscular correta que estimula o adequado crescimento facial e o desenvolvimento ósseo. As características fisiológicas da respiração podem ser alteradas quando existe uma mudança prolongada no padrão respiratório, passando de uma respiração nasal para uma respiração bucal.

Esta, apresenta causas diversas, podendo ser de natureza obstrutiva como hipertrofia das tonsilas palatinas, hipertrofia das adenóides, desvio de septo nasal, pólipos nasais, alergias respiratórias, sinusites, hipertrofias de cornetos, como também posição de dormir e a presença de aleitamento artificial; ou decorrentes de hábitos bucais deletérios, tais como sucção digital ou de chupeta que, dependendo da intensidade e da frequência, deformam a arcada dentária e alteram todo o equilíbrio facial.

A criança que recebe o aleitamento materno natural e não por mamadeira, sobretudo nos primeiros meses de vida, tem maior possibilidade de ser um respirador predominantemente nasal durante a vida.


A síndrome do respirador bucal possui características como distúrbios dos órgãos da fala e articulações faciais, e geralmente se associa a deformidades da face. O aleitamento materno tem um importante papel na promoção do correto desenvolvimento da musculatura facial e das demais estruturas do sistema estomatognático.

A sucção da mama tem papel fundamental no desenvolvimento motor-oral adequado, pois estimula os movimentos e funções dos órgãos fono-articulatórios: lábios, língua, mandíbula, maxila, bochechas, palato mole, palato duro, soalho da boca, musculatura oral e arcadas dentárias. Assim, promovendo o correto desenvolvimento da musculatura facial e das demais estruturas do sistema estomatognático.

A respiração bucal provoca alterações funcionais e anatômicas que podem levar a uma transformação da face e da cavidade oral devido a um mecanismo compensatório do organismo para se adaptar a estas modificações e facilitar a respiração. Estudos mostram a extrema importância do aleitamento materno nos âmbitos nutricionais, imunológicos, emocionais, além do correto desenvolvimento do padrão respiratório ideal do lactente.

A respiração bucal não é uma alteração fisiológica e sim patológica, que pode provocar alterações funcionais e morfológicas em todo organismo. O diagnóstico, prevenção e tratamento devem ser integrados com áreas da fisioterapia, fonoaudiologia, ortodontia, otorrinolaringologia e, às vezes, psicologia e nutrição para alcançar resultados satisfatórios, mostrando assim, a importância do tratamento multidisciplinar

REFERÊNCIAS:
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Neves Marques dos Santos, Maria da Luz. Respiração Bucal: as
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Estudo cefalométrico comparativo entre respiradores nasais e
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